Nicanor Nunes trabalha com a terra na Casa Porto Seguro

Créditos: QSocial

Nicanor Nunes, que veio de Registro tentar a sorte na capital, trabalha na horta da casa

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Coentro, batata-doce, almeirão, maçã, limão, mamão. Tudo orgânico e cultivado no bairro da Luz, centro de São Paulo, por pessoas que moram na rua.

A casa, mantida pela AEB (Associação Evangélica Beneficente), em parceria com a Secretaria de Assistência Social de São Paulo, recebe diariamente até 150 pessoas.

Lá eles têm cursos profissionalizantes, refeições (almoço e lanche), aulas de alfabetização, capoeira e ioga, oficinas de música e de artes plásticas. Todos auxiliam na limpeza e também participam da criação de regras para a convivência.

[img class="wp-image-41213 size-large" src="https://queminova.catracalivre.com.br/wp-content/uploads/sites/2/2016/02/IMG_2675-e1454613400257-1024x1024.jpg" alt="Detalhe da horta de almeirão na Casa Porto Seguro" width="1024" height="1024" ]

Detalhe do canteiro de almeirão cultivado na Casa Porto Seguro[/img]

A horta comunitária da Casa de Convivência Porto Seguro é um programa com vários benefícios, afirma Dinei Spadoni, pedagogo e gestor do espaço.

Assegura alimentos para as pessoas em situação de rua que frequentam a casa e gera renda para os que trabalham nela (há sete pessoas que usam o espaço que recebem uma bolsa de R$ 927 para atuar em várias funções).

Também é educativo (aprendem a lidar com cultivo, jardinagem, compostagem) e terapêutico (vários voluntários aparecem todos os dias para dar uma mão na lida com a terra).

Engradados de almeirão colhidos na horta da Casa Porto Seguro

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Almeirão colhido na horta da Casa Porto Seguro e que será servido a moradores de rua

As mudas produzidas na horta comunitária também colaboram com a geração de renda. “Parte é vendida para amigos que levam para suas casas e sítios e parte vai ser plantada no entorno da casa como medida para reduzir os entulhos que a população joga nas nossas calçadas”, diz Dinei.

“Com isso, conseguimos diminuir em 70% o acúmulo de lixo no entorno. Agora estamos trabalhando também com a conscientização. [Outra medida positiva] é a manutenção de nossos voluntários fazendo atividades externas _ o fato de eles estarem lá fora, trabalhando no jardim, inibe o descarte de lixo”, emenda.

Nicanor Nunes, 57 anos, era motorista em Registro, no interior paulista. Foi demitido do emprego, não conseguiu se recolocar, perdeu os pais e, depois, a casa. Acabou indo morar nas ruas. Há seis anos, vai diariamente à Casa Porto Seguro.

Frequentadores da Casa Porto Seguro durante almoço; na parede, quadros com obras feitas por eles

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Frequentadores da casa durante almoço; na parede, quadros com obras feitas por eles

“Tenho três filhas, tenho família, mas não temos nem contato mais. Vim para São Paulo para me virar.” “Se você percorrer outras casas como esta, vai ver que elas não têm tantas oportunidades. Aqui tenho bolsa, faço cursos, me sinto bem, a convivência é muito positiva”, avalia.

Apesar de dizer que prefere o trabalho como motorista, Nicanor fala que sempre aprende algo novo com seu Zé, o líder da horta, e que gosta de lidar com a terra. “Quando você gosta do que faz, faz com tanto amor e carinho que não se importa com mais nada.”

Ficou interessado em comprar mudas de hortaliças, temperos, árvores frutíferas ou flores? Se comprar da Casa Porto Seguro, você ajuda a manter o espaço e a recuperar dezenas de pessoas em situação de rua. Basta ligar para (11) 3326-6640.

Por QSocial