Que as pessoas cegas têm o tato muito apurado –em boa parte graças ao Braille—, o ginecologista alemão Frank Hoffmann já sabia. Mas o quanto essa habilidade poderia ser útil em diagnóstico de nódulos nas mamas?

Esse questionamento o fez criar a Discovering Hands, uma organização que oferece curso para mulheres com deficiência visual se tornarem examinadoras táteis. Por nove meses, elas recebem treinamento e tornam-se parceiras dos ginecologistas nas consultas de rotina.

Hoffmann já havia percebido que elas fazem o trabalho de detecção de nódulos pequenos melhor do que ele. Agora, um estudo preliminar da Universidade de Essen, na Alemanha, mostra que as cegas conseguem detectar um terço a mais de nódulos do que os ginecologistas.

Segundo o médico, seus colegas conseguem encontrar tumores entre 1 centímetro e 1,5 centímetro, enquanto as examinadoras táteis podem detectar nódulos entre 5 milímetros e 8 milímetros.

O médico mostra a diferença do tamanho de nódulos que podem ser detectados em exames
Além do tato mais apurado, as mulheres cegas também têm condições de se dedicar mais tempo aos exames, chegando a ficar até 45 minutos com os pacientes.

No curso, as mulheres aprendem como fazer o método de diagnóstico padrão das mamas. Também recebem treinamento em comunicação e psicologia.

Para a equipe da ONG Discovering Hands, essa experiência mostra como uma “deficiência” pode ser transformada em uma capacidade.

Hoje, 20 cegas fazem parte da rede da organização, trabalhando em 17 consultórios e hospitais na Alemanha.

Por QSocial