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A luz engarrafada é criação de um brasileiro. Num apagão em 2002, o mineiro Alfredo Moser pendurou uma lâmpada improvisada, feita de garrafa PET, no teto de sua casa. A ideia cruzou o mundo e chegou ao filipino Illac Diaz, da My Shelter, fundação que desenvolve projetos sustentáveis de baixo custo. O empreendedor social viu na solução uma oportunidade de ajudar famílias de baixa renda no seu país --e no mundo.

[img class="size-full wp-image-45314" src="https://queminova.catracalivre.com.br/wp-content/uploads/sites/2/2016/07/Litro-de-Luz-1.jpg" alt="Poste de PVC com placa fotovoltaica que armazena 32 horas de energia, acendendo lâmpadas LED dentro de garrafas recicladas" width="1000" height="665" ]

Poste de PVC com placa fotovoltaica que armazena 32 horas de energia, acendendo lâmpadas LED dentro de garrafas recicladas[/img]

Assim nasceu, em 2011, a Litro de Luz, que já transferiu essa tecnologia a comunidades de 21 países que não possuem acesso à iluminação pública tanto por motivos sociais como geográficos. Reconhecida internacionalmente, a ONG acaba de ganhar o St. Andrews Prize for the Environment, da Universidade St. Andrews, na Escócia, e utilizará os US$ 100 mil para iluminar comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Mas como transformar garrafas PET em luz solar? A solução consiste em enchê-las com 2 litros de água e duas tampinhas de alvejante (para evitar que ela se torne verde, em função da proliferação de algas) e fixá-las nos telhados: a luz solar incide sobre o líquido e, por refração, ilumina o ambiente, equivalendo à claridade de uma lâmpada de 55 watts.

Para levar luz também às ruas, uma reivindicação de muitas comunidades, a ONG desenvolveu outra tecnologia, que acopla, a um poste de PVC, uma placa fotovoltaica que carrega uma bateria capaz de armazenar até 32 horas de energia, acendendo pequenas lâmpadas LED dentro das garrafas recicladas.

“Sabemos que atividades como ir para a escola pela manhã ou voltar do trabalho a noite se tornam mais simples e seguras com a iluminação pública”, avalia Laís Higashi, presidente da Litro de Luz no Brasil. “Isso sem falar que ambientes iluminados ajudam a reduzir o número de quedas e aumentam a socialização entre os moradores."

O último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que existem mais de 2,7 milhões de brasileiros vivendo sem acesso à eletricidade, principalmente em áreas rurais e na região Norte. Esse número, entretanto, não abarca todas as 50 milhões de famílias pobres no Brasil, cuja ampla maioria não conta com acesso regular a energia elétrica.

"Nossa principal motivação é testemunhar a grande diferença que algo tão trivial como a luz pode impactar na vida das pessoas. Desde possibilitar que uma criança possa ler um livro em casa à noite, que uma mãe possa voltar do trabalho mais tarde, e que idosos possam andar nas ruas em segurança", pontua.

Por QSocial