Eles são refugiados africanos e se encontraram no Brasil. E foi aqui, durante o trabalho de pintura de ruas, que descobriram uma vocação comum: cantar e dançar.

No começo, a cantoria era apenas durante o expediente. Mas a INOVA, empresa de limpeza urbana em que trabalham, fez um concurso de talentos entre os funcionários há um mês. E a equipe de dez pessoas resolveu participar, apresentando ritmos africanos.

A banda de refugiados recebeu nome – African Beats – e agora terá um novo palco. Neste sábado, Dia da Música, se apresenta no Armazém da Cidade, em São Paulo, ao lado dos corais do Instituto Baccarelli, da Escola de Música do Estado de São Paulo e do Coro Masculino de Alumínio. O artista plástico Kobra doou uma ilustração para as camisetas do grupo.

Estampa da camiseta foi doada pelo artista plástico Kobra

Créditos: Divulgação

Estampa da camiseta foi doada pelo artista plástico Kobra

“Na África, a gente canta para motivar o serviço. Fizemos o mesmo aqui. Os colegas brasileiros gostam também”, afirma o angolano Adilson Kama Miguel, 34 anos, líder do grupo. Ator no país natal, ele teve de sair porque era ameaçado por uma pessoa que matou seu irmão.

A banda é formada por oito angolanos e dois congoleses – entre eletricistas, motoristas e pintores –, que já compuseram quatro músicas. As apresentações são acompanhadas de tambor, chocalho e bumbo, além de cajado e flecha, objetos usados para as danças.

A exibição na Vila Madalena será a primeira pública. Adilson não esconde que o objetivo é, daqui a algum tempo, se apresentarem profissionalmente.


Desde que o programa de contratação de imigrantes e refugiados foi lançado, em junho do ano passado, a INOVA já contratou 311 pessoas. O objetivo é oferecer oportunidade de trabalho e recolocação para que elas possam ter autonomia e reconstruir a vida no Brasil.

Além de Angola e do Congo, o projeto também recebeu profissionais do Gabão, da Guiné, do Haiti, do Paquistão, do Mali, do Níger e da Nigéria. Muitos entraram como varredores, ajudantes e eletricistas de carros, mas a empresa iniciou um mapeamento de formações para tentar realocá-los de acordo com a profissão que tinham no país de origem.

“Há técnicos agrônomos que foram direcionados para o programa de compostagem da empresa”, exemplifica Eugênia Gaspar da Costa, gerente operacional da INOVA. “Estamos empenhados em fazer com que todos se sintam acolhidos.”

Entre os imigrantes e refugiados existem ainda engenheiros, professores, psicólogo, cabeleireiro, bioquímico e contadores, entre outros.

Para o programa, a empresa tem parceria com o Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes, órgão da Prefeitura de São Paulo, que garante apoio jurídico e psicológico, além de cursos e oficinas.

SERVIÇO
Dia da Música no Armazém da Cidade
Quando: 18/6, das 15h30 às 18h
Onde: rua Medeiros de Albuquerque, 270, Jardim das Bandeiras, São Paulo, SP
Quanto: gratuito

Por QSocial