A ex-catadora de lixo reciclável Rita Ribeiro da Silva, de 41 anos, deu à luz Vitor há 14 anos, mas o bebê foi trocado na maternidade, em Votorantim (SP). Ela cuidou do outro bebê, Giuliano, por sete meses, até o hospital confirmar o erro. Hoje, ela cuida dos dois meninos.

Créditos: reprodução/arquivo pessoal

Ela teve o bebê trocado na maternidade, em São Paulo, e decidiu ficar com os dois meninos

“O médico me mostrou ele rapidamente e eu vi que ele era magro e moreno”, relembra Silva. De acordo com informações do site Universa, ela foi para o quarto e a enfermeira trouxe Giuliano como sendo seu filho. “Achei estranho porque ele era branco e gordinho e não parecia a criança que eu tinha visto na sala do parto.”

Rita disse à enfermeira que seu nome não era o que estava no berço (Luciana). “Ela voltou e disse que, por engano, os berços tinham sido trocados, mas que eu podia ficar tranquila que aquele era meu filho.”

Naquele mesmo dia, Silva encontrou Luciana --a mãe verdadeira de Giuliano-- no corredor. “Ela me disse que tinha certeza que o bebê que estava com ela era dela, porque ele tinha uma mancha na perna igual a do marido. Eu fiquei angustiada porque eu olhava o Giuliano e achava ele parecido com a Luciana. Algo me dizia que ele não era o meu filho biológico e que os bebês tinham sido trocados na maternidade.”

O começo de uma luta

A avó de Vitor achou que a filha estava com depressão pós-parto. Já o marido ficou surpreso quando viu que o menino era branco, porque ambos eram morenos. Suspeitou que não fosse o pai, desconfiou de traição e saiu de casa. “Ele falou que ia ficar com a mãe dele até que eu provasse minha inocência.”

Na ocasião, Silva estava desempregada e teve de se virar. Fazia faxina e recolhia lixo. Dois testes de DNA foram feitos e o resultado só foi conhecido pelas mães quatro meses depois, quando as crianças tinham sete meses.

“Coração de mãe não mente. Assim que eu vi o Vitor, no dia que o diretor do hospital nos chamou para falar o resultado, eu já sabia que ele era meu filho biológico”, diz Silva. Ela conta que ficou “horrorizada” quando viu que estava desnutrido e com bernes pelo corpo.

Créditos: reprodução/arquivo pessoal

Ela teve o bebê trocado na maternidade e decidiu ficar com os dois

O diretor confirmou o erro e disse que elas precisavam destrocar os bebês imediatamente. “Eu disse que precisava de um tempo, eu amamentava o Giuliano e não podia tirá-lo do peito de uma hora para outra. Eu queria levar o Vitor comigo, mas também não queria deixar o Giuliano. Fui um pouco egoísta, mas estava preocupada que ele não fosse bem tratado.”

Questão judicial

Após um acordo na Justiça, Luciana morou por 30 dias na casa da catadora, com seu bebê trocado na maternidade. “O combinado era que ela cuidasse do Giuliano e eu do Vitor, mas a experiência não deu certo, porque ela não cuidou do menino.”

Luciana, então, se mudou para uma casa próxima e levou o filho dela. “Eu fiquei com o meu. Nossa adaptação foi ótima, mas o mesmo não aconteceu com eles”, explica Silva. A mãe de Giuliano propôs destrocar os bebês novamente e a vizinha não aceitou. “Ela disse que se eu não devolvesse o Vitor, eu podia ficar com os dois porque ela não queria ficar com o Giuliano. Ela alegou que ele não gostava dela e que ela estava cansada.”

Foi quando, na Justiça, Silva ganhou a guarda dos dois meninos, que estavam com 10 meses. Seu marido voltou para casa, mas, em 2010, morreu afogado. Hoje, ela e seus cinco filhos sobrevivem com a pensão de R$ 1.750 pela morte do marido e com a pensão de um salário mínimo que Giuliano receberá até completar 18 anos.

Silva também ganhou uma ação de indenização por danos morais de cerca de R$ 200 mil. “Quando eu receber o dinheiro, quero comprar uma casa para deixar para os meus filhos. Nós moramos num barraco, numa área invadida e a qualquer momento podemos ser despejados.”

Segundo ela, a relação de Vitor e de Giuliano é de irmãos. “Meus cinco filhos são tudo para mim, eles dão sentido na minha vida e me completam como mãe.”

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