Alfredo Borret e algumas de suas obras feitas com tampinhas de metal

Créditos: Ronieri Aguiar

Alfredo Borret e algumas de suas obras feitas com tampinhas de metal

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Ele faz releituras de obras famosas --como a Monalisa de Leonardo da Vinci-- ou de cartões-postais do Rio de Janeiro usando tampinhas de metal de água, cerveja e refrigerante.

Com sua arte sustentável, o carioca Alfredo Borret, 35 anos, deu outra destinação a 700 mil tampinhas que iriam para os aterros e demorariam cem anos para se decompor na natureza.

E não são só nos quadros de 50 cm por 60 cm que ele reaproveita uma média de 700 unidades. Na árvore de Natal erguida na escola de samba Salgueiro, foram 80 mil tampinhas.

O despertar da consciência ambiental desse artista autodidata formado em marketing foi em 2004, em uma oficina organizada pelo CIEE/RJ – Centro de Integração Empresa-Escola.

Ainda universitário, foi instigado a fazer algo para colaborar com os Objetivos do Milênio da ONU. Escolheu atuar na meta 7 – Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente.

Propôs o Plano Social Eco Pet, foi eleito jovem de destaque e implantou o projeto na comunidade da Babilônia. “O lixo era um problema, e a reciclagem, uma alternativa”, conta.

Dois anos depois, em um seminário na Fundação Getulio Vargas, ficou sem resposta para um questionamento do palestrante: Por que garrafas PET? Qual tipo de lixo que você mais produz?

A resposta, diz, só apareceu meses depois, no final de uma confraternização familiar, varrendo do quintal uma grande quantidade de tampinhas de metal de cerveja e refrigerante.

Lembrou que nos anos 80 empresas de bebidas estampavam imagens dos personagens de Walt Disney no interior das tampas e teve a ideia de começar a fazer artesanato com o resíduo.

Nascia a Ecotampas, negócio socioambiental que produzia ímãs com imagens de times de futebol e cartões-postais como Cristo Redentor, Pão de Açúcar e o calçadão de Copacabana.

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O negócio socioambiental nasceu com as ecotampas[/img]

“Eu distribuía esses brindes nos pontos turísticos do Rio de Janeiro com a seguinte frase: ‘Se beber, recicle – esta tampa levaria 100 anos para se decompor na natureza”, lembra.

E foi assim, “num trabalho de formiguinha”, que Alfredo mobilizou amigos e vizinhos e chegou ao 2º lugar num concurso onde 2.500 pessoas declararam seu amor pelo Rio usando a arte.

Incentivado pelo reconhecimento, em 2012 ele criou uma técnica que transforma as tampinhas em quadros, na qual ele recorta uma foto em pecinhas no formato de moedas de R$ 0,25.

“É como montar um quebra-cabeça. Vou ajeitando uma a uma com uma agulha”, explica. Dependendo da imagem, são necessários de cinco a dez dias para a obra ficar pronta.

No Carnaval de 2015, deu forma a uma mulata criada pelo designer Jérôme Poignard usando 11 mil tampinhas num quadro de 13 m por 10 m; no Natal foram 80 mil numa árvore de 8 m.

Pelas suas contas, de 2007 até hoje, ele já reciclou 700 mil tampinhas fazendo arte. “Quero sensibilizar os fabricantes de bebidas da importância de dar destinação a esse resíduo.”

Por QSocial