Equipe de coleta durante mutirão realizado na comunidade do Morro Doce

Créditos: divulgação

Equipe de coleta durante mutirão realizado na comunidade do Morro Doce

"Lixo me revolta. Comigo não tem essa de ‘não vou pegar esse papel do chão porque não fui eu quem jogou’.” A frase diz muito sobre a presidente do Instituto Reciclando Vidas, Maria Ivone da Silva, 56 anos.

Líder comunitária do Morro Doce, em Perus, na zona norte de São Paulo, ela lembra que, há sete anos, os caminhões de coleta da prefeitura não subiam as ladeiras do bairro, pois eram muito íngremes.

Ela não se fez de rogada: juntou os vizinhos, organizaram reuniões com os responsáveis pela limpeza e, pouco a pouco, os resultados foram chegando. Hoje esse problema não existe mais.

O que restava era o do descarte irregular de lixo pelas ruas, criando pontos viciados. “Era muito lixo. Dava vergonha de trazer visita para casa. Se nós não tivéssemos tomado a decisão de resolver isso, não sei como estaríamos hoje”, conta.

Crianças participam de plantio coletivo em área revitalizada de Perus

Créditos: divulgação

Crianças participam de plantio coletivo em área revitalizada de Perus

A solução foi novamente a articulação local. O instituto mobilizou os moradores, e a Inova, empresa de limpeza urbana, e a Loga, de coleta, foram chamadas a participar de um grande mutirão no Morro Doce realizado em março.

Segundo Ivone, cerca de 80 moradores participaram da ação, que durou cerca de quatro horas. Professores e alunos de uma escola do entorno reforçaram o movimento e, além do mutirão, participaram de um plantio coletivo de 150 mudas de árvores nativas na praça do Monte Belo, local escolhido como o ponto de encontro do grupo.

“Limpamos tudo, tinha criança, jovem, idoso, foi um trabalho duro”, lembra ela. “Fizemos muito barulho, falamos até sobre dengue. Todo o lixo foi levado. Mas é uma atuação contínua, se a gente parar, volta a sujeira.”

A líder comunitária diz que o segredo do sucesso da limpeza da área foi a participação da população. “Só o poder público não consegue manter tudo limpo. As pessoas, quando ajudam nisso, passam a fiscalizar quem joga lixo e, o melhor, começam a gostar mais de onde moram, a ter prazer de estar ali.”

Por QSocial