É difícil acreditar que o nosso Museu Nacional, maior acervo histórico desde a época do Brasil Império, foi destruído pelo fogo na madrugada de domingo, dia 2 de setembro. Para prevenir e remediar esse tipo de situação, uma semana após o incêndio, o presidente Michel Temer decidiu criar a Abram (Agência Brasileira de Museus). No caso, será responsável pela reconstrução do museu e gestão dos repasses dos doadores.

O coordenador da ONU Brasil, Niky Fabiancic, lamentou a destruição do museu como uma “perda inestimável de um acervo tão precioso para o país e o mundo”. Para a representação da UNESCO, o incidente “expõe fragilidade” dos mecanismos nacionais de preservação de bens culturais.

Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um incêndio de proporções ainda incalculáveis atingiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro

O fogo se alastrou rapidamente e fósseis, registros históricos, múmias, obras de arte e diversos documentos viraram cinzas. Após o incêndio, a astrônoma Maria Elizabeth conseguiu resgatar parte da coleção de meteoritos. A busca continua nos escombros e já foram resgatados parte da coleção de zoologia, alguns minerais e cerâmicas, acervo de invertebrados e um crânio que pode ser “Luzia”, a primeira mulher do Brasil.

O castelo completou 200 anos e já foi residência de um rei e dois imperadores. Não houve feridos e a polícia está investigando a causa do incêndio, se foi proposital ou acidente. As autoridades que administram o Museu Nacional foram alertadas há muitos anos sobre a conservação precária e o risco de incêndio, porém nada foi feito. O trabalho dos bombeiros ainda foi prejudicado pela falta de água nos hidrantes e a população chora por perdas irreparáveis à arte e à cultura brasileira.

Vale lembrar que outros museus no Brasil também sofreram recentemente incêndios, tais como: Museu da Língua Portuguesa, Memorial da América Latina, Instituto Butantã e Museu de Arte Moderna do Rio.

por Bernardo Tourinho Ferreira, da Escola Concept de Salvador (BA)