Nem só de homem vive o atual cenário de startups. Além de serem grandes consumidoras de produtos e serviços, as mulheres mostram cada vez mais que sabem olhar para o mercado, enxergar uma oportunidade de negócio, e, é claro, faturar.

Fotos: Divulgação

Créditos: Fotos: Divulgação

Taís Viana e Irene Nagashima criadoras do projeto CineMaterna

Com habilidades únicas, elas também aumentaram sua participação na diretoria das empresas. A proporção de mulheres que ocupam cargos de CEO cresceu consideravelmente entre 2012 e 2013 e continua em rápida ascensão: de 3% para 14% nos Estados brasileiros. Ótima notícia, já que, segundo um estudo da Escola de Negócios da Universidade Leeds, no Reino Unido, startups com mulheres na diretoria têm 27% menos risco de falir se comparadas com aquelas que possuem apenas homens no corpo diretivo.

Créditos:

Tatiana Goldstein criou o site CasarCasar, líder na Argentina e recentemente lançado no Brasil

Experiências como a da Taís Viana que por meio da necessidade teve a inspiração para criar o CineMaterna, demonstra que ser mulher é algo muito favorável na hora de  saber em que empreender. "Até o final da gestação, por exemplo, nem suspeitava que ir ao cinema --um programa tão pacato e corriqueiro-- se tornaria um grande desafio quando se tem um bebê", conta.

Segundo ela, o fato de ser mãe, o que aumenta habilidades como "multi- tarefa" e boa resistência apesar das poucas horas de sono, foram fundamentais para construir a empresa no início.

Créditos:

Allesandra Ferreira da Alle ao Lado

Quem também enxergou na experiência exclusiva de ser mulher uma ideia para empreender foi a Tatiana Goldstein, CEO do Casar Casar, portal de assessoria de casamento. "Criei o serviço que eu gostaria que existisse quando me casei, em 2008", conta.  "A organização do meu casamento aos poucos se converteu em um trabalho de jornada completa e senti que havia uma necessidade de contar com um site que oferecesse ferramentas para ajudar os noivos com a organização integral do seu casamento."

Para as duas empresárias, suas empresas não existiriam se não fossem mulheres. "É aí que reside a chave do nosso sucesso como empreendedoras: escolher um projeto onde o fato de ser mulher seja uma vantagem competitiva e não uma dificuldade ou impedimento", diz Tatiana.

Créditos:

Roberta Valença, CEO na Arator Sustentabilidade

Já para Allesandra Ferreira, CEO da Alle ao Lado, empresa especializada em palestras, treinamentos e coaching, as características femininas são importantes para empreender em qualquer cenário e até em segmentos masculinos. "A capacidade de nutrir, o potencial de acolher, a coragem de incluir, aptidão para aglutinar e competência de conciliar são essenciais em todo negócio", afirma.

Na Arator Sustentabilidade, consultoria de sustentabilidade, a sensibilidade feminina em saber lidar com cada perfil de pessoa e de projeto são características chaves para a CEO Roberta Valença. "O curioso é que anos atrás ouvia muitas críticas de ex-chefes em relação a esta postura de agir diante das coisas. Mas, hoje, diria que é o meu diferencial. Eu me disponho a entender o outro de forma a me colocar no lugar dele. Assim consigo criar projetos personalizados para transformar a realidade que é só daquela empresa, com aquele dono, em determinado mercado."

Créditos:

Nuricel Villalonga Aguilera, educadora e diretora do Instituto Alpha Lumen

Todas acreditam que, apesar das barreiras culturais, a tendência é ter cada vez mulher no mundo dos negócios. "O problema está no estímulo que é dado às crianças conforme o gênero. Os meninos são estimulados a seguir empreitadas mais ousadas, enquanto as meninas muitas vezes são limitadas pela própria família e pela comunidade em que vivem", conta Nuricel Villalonga Aguilera, física, astrônoma, educadora e diretora do Instituto Alpha Lumen.

"Os desafios virão, seja qual for seu sexo. Existem várias respostas para os problemas, por isso não adianta tentar ser masculina nem mesmo com os homens. Hoje muitas mulheres trabalham e consomem produtos e serviços, então temos que lidar com várias delas no trabalho. Quem sabe se ser mulher nessa hora não é realmente uma grande vantagem?", aponta Viana.