Pesquisadores da Escola Paulista de Medicina, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Universidade de Surrey, no Reino Unido, desenvolveram uma técnica inovadora para examinar e quantificar os vasos sanguíneos no cérebro utilizando procedimentos de análise de imagem 3D.

O trabalho publicado no "Journal of Anatomy" possibilitará que os cientistas examinem a circulação no cérebro, dando uma melhor compreensão de como ela funciona e como doenças cerebrais --demência, câncer e derrame, por exemplo-- podem afetar as veias e capilares desse importante órgão.

Vascular bifurcations background. Shallow depth of field 3d render.

Créditos: sitox/iStock

Trabalho em conjunto com a Universidade de Surrey ajudará a compreender doenças cerebrais

Até o momento, os pesquisadores não dispunham de uma técnica para quantificação de vasos sanguíneos que gerasse imagens de alta resolução em 3D, por meio de uma metodologia simples, barata e acessível a grande parte dos laboratórios no mundo.

Apesar de os experimentos terem sido realizados em modelos animais, os dados obtidos nessas pesquisas podem potencialmente ser aplicados em seres humanos, ajudando assim a reduzir o número de mortes causadas por doenças cerebrais. Dessa forma, a técnica facilitará a identificação de potenciais sinais de alerta desses males antes que seus sintomas apareçam.

Com o uso de um microscópio confocal, a técnica torna os vasos sanguíneos visíveis e permite aos cientistas e patologistas realizarem uma leitura precisa do seu número, comprimento, área de superfície e criar imagens 3D que podem ajudar a identificar mudanças quantitativas, indicadores-chave de uma série de doenças relacionadas com a circulação no cérebro.

Outras finalidades

O procedimento também pode ser usado em exames post-mortem e biópsias de tecidos animal e humano, facilitando aos patologistas a determinação das causas de morte e a identificação rápida de alterações na circulação cerebral, tais como a formação de coágulos ou tumores.

Além disso, esse método inovador também trará uma maior compreensão de como o exercício físico afeta o cérebro. Os cientistas agora serão capazes de analisar os efeitos circulatórios de aumento ou diminuição da frequência cardíaca, pressão arterial no cérebro e a criação de novos vasos (angiogênese).