No início deste mês, a banqueteira e empreendedora social Reila Miranda, 37 anos, teve um estalo: juntar o trabalho de sua ONG Casa da Borboleta ao do Reila Miranda Buffet e, com isso, dar poder às mulheres.

Fila de mulheres interessadas em vaga no Reila Miranda Buffet, no Tatuapé (São Paulo)

Créditos: QSocial

Fila de mulheres interessadas em vaga no Reila Miranda Buffet, no Tatuapé (São Paulo)

Bolou um anúncio e divulgou no Facebook. Nele, informou que tem vagas de trabalho com carteira assinada apenas para mulheres, que morem na zona leste de São Paulo, com filhos e, preferencialmente, que precisem sair de uma situação de vulnerabilidade.

O anúncio, totalmente fora dos padrões do que se vê no mercado de trabalho, viralizou rapidamente: foram mais de 5.200 curtidas e quase 3.000 compartilhamentos. No dia marcado para o preenchimento presencial da ficha, 400 mulheres fizeram o cadastro e as demais foram direcionadas para outra data.

Muitas ficaram em dúvida sobre a veracidade das intenções da empreendedora, mas ninguém quis arriscar: desde as 7h daquela quarta-feira, uma grande fila se formou na rua residencial do Tatuapé, na zona leste da capital paulista.

Zelita Ferreira Nunes, 49 anos, auxiliar de limpeza desempregada, saiu cedo de Guaianazes, no extremo da zona leste, com as duas filhas jovens também desempregadas. “Levei até um susto quando minha filha falou do anúncio. Isso não existe, até liguei para confirmar se era real. Vim tentar a vaga e entender melhor o que ela [Reila] está fazendo”, afirmou.

Zelita Ferreira Nunes e as filhas Katy Nunes Vieira (esq.) e Thamirys Nunes de Araújo, que estão desempregadas

Créditos: QSocial

Zelita Ferreira Nunes e as filhas Katy Nunes Vieira (esq.) e Thamirys Nunes de Araújo

Outra que foi tentar a sorte foi Carislane Santos Batista, 19 anos. Com a amiga e o filho Yuri, 2 meses, ela saiu do Jardim Jaqueline, na zona oeste e, duas horas depois, chegou ao local para tentar “vaga de qualquer coisa”. “Estou procurando emprego há um mês, tenho experiência em salão, como cabeleireira e manicure, mas, como preciso amamentar, não consigo achar nada.”

Carislane é solteira, morou no Amparo Maternal (instituição filantrópica de apoio a gestantes) e está passando uns tempos na casa de uma tia, de favor. Ao conhecê-la, Reila decidiu antecipar uma etapa e acolheu Carislane e o filho, além de dar a ela trabalho numa cooperativa de mulheres em situação de vulnerabilidade social, a Casa da Beleza Negra, criada para dar atividade remunerada a quem não puder ser absorvida pelo bufê.

“Estou numa onda de criatividade. Uma coisa puxa a outra, as ideias vêm. O meu foco é a mulher, a maternidade”, afirma Reila. “Sempre soube que nasci para fazer alguma coisa maior, ser alguma coisa. Queria mudar o mundo e só encontrei meu caminho ao me dar conta de que não consigo trabalhar sozinha. Somos um coletivo de mulheres.”

As mulheres cadastradas serão parte de um banco de dados que vai abastecer não apenas o Reila Miranda Buffet e a Casa da Beleza Negra. Reila pretende criar cooperativas de mulheres em diversas áreas, como diaristas, passadeiras e babás, além de um coworking gastronômico, de forma que as mulheres vítimas de violência acolhidas na Casa da Borboleta tenham opções para voltar ao mercado e gerar sua própria renda.

Todas as quartas-feiras de abril e maio, às 9h, serão distribuídas 100 senhas para mulheres interessadas em fazer o cadastro. É preciso comparecer à rua Duarte de Carvalho, 102, Tatuapé (próximo à estação de metrô Tatuapé) com uma caneta.

Por QSocial