A mineira Yara da Costa Hermisdorff, de 23 anos, estudou na rede pública de ensino de uma localidade sem acesso à internet ou urbanização. Isso não a impediu de ser selecionada para um doutorado na França.

Créditos: reprodução/divulgação/UFVJM/portal MEC

Brasileira formada na rede pública é escolhida para doutorado na França

Ela começou a cursar o bacharelado em ciência e tecnologia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) em 2012. “Eu já tinha vontade de estudar fora, mesmo antes de entrar na faculdade, só que sempre achei que nunca seria uma coisa acessível”, diz.

Quando ingressou na UFVJM e passou a ter contato com alunos que se inscreveram no programa Ciência sem Fronteiras, porém, voltou a ter esperança de realizar o sonho. Hermisdorff diz que sentia mais maturidade dos colegas que voltavam do intercâmbio.

Em 2016, ela se inscreveu no Brafitec, um programa desenvolvido pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Assim, ela foi selecionada para cursar parte da graduação na França, com uma bolsa para a Escola Superior de Química e Física Eletrônica de Lyon.

Créditos: reprodução/@Yara Hermisdorff/Facebook

Brasileira formada na rede pública é escolhida para doutorado na França

Durante o período de cerca de um ano em que ficam na França, os escolhidos recebem aproximadamente € 800 mensais. “Os alunos selecionados são de alto nível e encontram uma percepção muito positiva por parte das universidades francesas”, explica a coordenadora geral do Brafitec, Helena Albuquerque. Desde 2002, mais de 5.000 estudantes já passaram pelo programa de intercâmbio.

Depois de entrevistas técnicas e análises do desempenho no período de estágio, em um processo seletivo de três etapas, Yara foi contratada por uma empresa que se comprometeu a estabelecer um projeto de estudo com a doutoranda por período de três anos. Atualmente, ela desenvolve um sabão para lavar louças que, embalado em bioplástico solúvel em água fria, pode ter impacto positivo sobre a saúde de milhares de pessoas.

“Eu ficaria muito feliz de poder fazer no Brasil a mesma coisa que estou fazendo aqui hoje, trabalhar com a química na busca de novos materiais que não coloquem em risco a nossa saúde”, conta Hermisdorff. “Quero voltar para o Brasil e, de alguma forma, passar para os outros tudo que aprendi. Acho que essa seria a melhor forma de agradecer tudo o que a França me ofereceu.”

Com informações do MEC

Ele é o 1º deficiente visual a chegar à livre-docência no Brasil