“Fui dormir enxergando e acordei cego.” Assim começou a jornada do patinador Tiago Lemos, na época com 16 anos, pelo universo das barreiras que existem na vida de pessoas com deficiência visual.

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Patinador cego Tiago Lemos (à esq.) e seu guia Emerson Pancelli

A perda de visão foi decorrente de um glaucoma congênito (doença causada pelo aumento de pressão intraocular que lesiona o nervo ótico). Nem Tiago, nem seus pais sabiam que ele deixaria de enxergar.

Parecia ser o fim de suas aventuras sobre patins. “Sempre gostei muito de esporte radical e as manobras e velocidade me atraíam”, lamenta.

Mas, em 2015, Tiago descobriu que poderia voltar à prática. “Após uma crise de ansiedade e muito estresse, comecei a pesquisar esportes que ainda não eram adaptados e que um cego poderia praticar.”

Em suas buscas, conheceu Emerson Pancelli, que patinava havia 15 anos. Não só isso: curioso, ele havia procurado técnicas para permitir que pessoas com deficiência visual também se aventurassem sobre rodas.

Com Emerson como guia, Tiago deixou o temor para trás e começou a treinar e a competir em campeonatos adaptados. “Para mim, nada vai ser perigoso desde que eu queira”, diz ele. E acrescenta: “Se eu não transpuser meus limites e meus medos, vou me trancar em casa”.

Tiago juntou-se a Emerson no Projeto Hero – e, juntos, decidiram levar a sensação de estar sobre rodas a mais cegos.

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Guia instrui patinador cego

Criado em 2015, o programa ajudou 60 pessoas com deficiência visual a andar de patins. Todas são acompanhadas de guias voluntários, que os instruem e garantem sua segurança.

Agora, os dois buscam recursos por meio de financiamento coletivo, que vai até 7 de abril, para a contratação de preparador físico, nutricionista e fisioterapeuta para os atletas. O valor vai ajudar também no traslado dos patinadores e guias em eventos e na compra de patins e equipamentos de segurança, como capacetes e joelheiras.

Quem quiser participar dos treinos basta comparecer aos sábados, das 9h às 12h, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Para ser guia voluntário, é preciso saber patinar e participar de oficinas de capacitação.

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Patinadora cega e guia patinando

Por QSocial